Ricardo Kanitz, da Spectra, está bullish e bearish (ao mesmo tempo) com o mercado de tecnologia

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Entre uma perspectiva otimista e uma pessimista, Ricardo Kanitz escolheu ficar “em cima do muro” em relação ao futuro do venture capital no Brasil e na América Latina.

Sócio-fundador da Spectra Investments, uma das maiores investidoras de fundos de venture capital no País, com mais de R$ 7 bilhões em ativos sob gestão, Kanitz afirmou que está bullish e bearish ao mesmo tempo em relação ao mercado.

“Bullish no longo prazo e bearish no curto prazo”, afirmou o investidor, durante sua participação no Upload Summit, evento que realizado na quarta-feira, 24 de abril, em São Paulo.

Kanitz afirmou que está otimista com o mercado pela forma como os empreendedores brasileiros encaram os negócios. “Há muitos problemas. Mas, a cada problema, eles enxergam uma nova oportunidade”, disse. “Há muito talento.”

Sobre estar bearish, Kanitz explica que, ao longo dos últimos anos, a Spectra vem reduzindo a alocação de capital em venture capital na região. “Nós aumentamos a alocação em tecnologia na região para 25% do nosso portfólio em 2017”, disse. Esse percentual caiu para 5%. “Ainda estamos dentro, mas não tanto como antes.”

Dois fatores explicam a preocupação. O primeiro está relacionado aos índices de eficiência dos fundos. Esse índice mede a proporção entre receita e custos de uma operação. Kanitz diz que o indicador caiu de 2,5x para 0,3x entre 2017 e 2023 para empresas em estágio de série A.

“Você pode dizer que 0,3x ainda é saudável e que 2,5x é saudável até demais”, disse Kanitz, ao explicar que os investidores ainda podem lucrar nos exits das investidas, dependendo de quanto eles consigam vender suas participações. “Você ainda pode fazer dinheiro, mas esse é um ponto de preocupação”, afirmou.

A segunda questão está relacionada ao preço. Desta vez, duas comparações foram feitas. Na primeira, Kanitz afirma que o valuation pre-money de empresas em estágio seed da América Latina saltou de US$ 2,5 milhões para algo em torno de US$ 10 milhões a US$ 11 milhões, mesmo depois da correção de preços do último ano.

Segundo o investidor, o valor está elevado pela comparação em relação aos valuations de startups no mesmo estágio nos Estados Unidos. “Em 2017, você tinha uma diferença de 50% no preço. Em 2023, apenas 13%”, afirmou.

Ao determinar prazos, Kanitz estima que a indústria de tecnologia “vai ser maior e mais resiliente” em um período próximo de cinco anos, mas vai enfrentar dificuldades ao longo dos próximos dois anos.



Fonte: Agência Brasil

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