Por que a Camil decidiu ser uma empresa de “refeição completa”


Conhecida pela produção de arroz e feijão, a Camil tem abocanhado outros segmentos no setor de alimentos. Nos últimos 24 meses, a empresa entrou em categorias como massas, biscoitos e cafés. Ao todo, são mais de duas dezenas de marcas no portfólio, como União, Seleto, Toddy, Mabel, Coqueiro, entre outras.

Além dessa diversificação, a empresa de alimentos expandiu sua presença no exterior. O Equador foi o último país a entrar no plano de internacionalização. A Camil está presente também no Uruguai, Peru e Chile.

“Há 24 meses, tínhamos acabado de entrar em massas e no Equador. Não tínhamos as operações de café e de biscoitos. O crescimento do último trimestre é um crescimento de volume também pela adição dessas novas categorias”, diz Flavio Vargas, CFO da Camil, em entrevista ao programa Números Falam, do NeoFeed.

No último balanço publicado pela Camil, referente ao seu terceiro trimestre, a companhia reportou uma receita líquida de R$ 3 bilhões, uma expansão de 15,5% sobre o mesmo período do ano anterior. O Ebitda de R$ 249,3 milhões foi 48,3% maior do que o registrado no terceiro trimestre de 2022.

A empresa de alimentos segue um calendário próprio de divulgação. O ano da Camil começa em 1º de março e termina em 28 ou 29 de fevereiro. Essa particularidade acontece pela sazonalidade da plantação de arroz, que é a origem da companhia.

Desde a listagem de suas ações na B3 em 2017, a companhia fez um total de R$ 3,1 bilhões em alocação de capital. Desse montante, pouco mais de R$ 500 milhões foram para expansão do aumento de capacidade de produção e R$ 1,3 bilhão foram gastos em aquisição de concorrentes.

“Ao longo da nossa história já passaram três fundos de private equity que nos ajudaram e ensinaram que para você crescer você pode usar outras avenidas de crescimento. E aquisição é uma delas”, afirma Vargas.

O fundo de private equity americano TCW foi o primeiro a investir na Camil, ainda nos anos 1990. A Gávea Investimentos entrou na companhia em 2011. A participação foi vendida para a Warburg Pincus em 2016, que fez o desinvestimento três anos depois. Atualmente, 27% das ações estão em livre circulação e pouco mais de 65% pertencem à Camil Investimentos.

Com um endividamento total de R$ 5,1 bilhões e uma posição de caixa e equivalentes de R$ 1,5 bilhão, a Camil terá um montante significativo para amortizar no curto prazo: pouco mais de R$ 2 bilhões em novembro deste ano.

A sazonalidade do capital de giro faz parte do negócio da companhia. Em dezembro de 2023, por exemplo, a Camil emitiu um Certificado de Recebível do Agronegócio (CRA) no valor de R$ 650 milhões. Foram três séries com remunerações anuais de CDI+0,65%, IPCA+6,34% e IPCA+6,52%.

Na visão da Camil, a mudança das regras para a emissão de CRAs aumentará o interesse pelas dívidas da companhia. “A oferta ficou restrita, mas a demanda continua crescendo”, afirma o CFO. “Tomar dívida e refinanciar o endividamento faz parte do processo de geração de valor.”

A ação da Camil está em alta de 1,8% no ano e acumula valorização de 17,3% em 12 meses. O valor de mercado da companhia é de R$ 3 bilhões.





Fonte: Agência Brasil

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