No CRA para financiar a pecuária regenerativa na Amazônia, JBS fica com a “parcela do risco”

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A JBS tem um grande interesse em aumentar a produtividade dos criadores de gado na região da Amazônia. Mas esse processo que envolve adoção de tecnologia não acontecerá sem a preservação do bioma. Para fazer essa roda girar, a empresa anuncia um aporte de R$ 10,2 milhões em um Certificado de Recebível do Agronegócio (CRA) que tem como lastro o programa Juntos: Pessoas+Floresta+Amazônia.

O CRA Rio Capim, estruturado pela Vox Capital com apoio da consultoria Rio Capim Agrossilvopastoril, terá duas emissões de R$ 50 milhões – a primeira agora, em maio de 2024, e a segunda em 2025. Será voltada para investidores profissionais, com pelo menos R$ 10 milhões em investimentos.

A cota de R$ 10,2 milhões da JBS terá uma remuneração atrelada apenas ao IPCA. Essa será a parcela de capital com a menor prioridade de retorno. Em inglês, essa estrutura é chamada de first-loss capital e serve de estímulo para outros investidores se sentirem atraídos por investimentos de impacto.

A cota sênior do CRA Rio Capim terá retorno de CDI+5% e a mezanino, de CDI+2%. E a taxa interna de retorno (TIR) esperada é de 28%.

“O CRA vai permitir executar o projeto e provar que a prática sustentável é rentável, com uma taxa de retorno bastante atrativa e a JBS ficando com a cota de maior risco”, diz Gilberto Tomazoni, CEO global da JBS, ao NeoFeed.

O programa Juntos: Pessoas+Floresta+Amazônia, que serve de lastro para o CRA Rio Capim, foi criado no ano passado com um cheque de R$ 10 milhões da JBS para dar apoio ao pequeno produtor de gado de corte atuante na região amazônica.

O objetivo desse projeto é aumentar a produtividade do pequeno produtor e, como consequência, melhorar a renda e acabar com o desmatamento ilegal na Amazônia.

“Há uma reclamação do mercado de que não existem projetos para a transformação verde. Mas este é um projeto inovador, com foco em aumentar a produtividade, com práticas regenerativas, melhorar a genética com um modelo que aumenta a renda do pequeno produtor”, afirma Tomazoni.

A projeção é que a receita líquida do pequeno produtor aumente mais de 12 vezes com a adoção do sistema que prevê o suporte na reforma da pastagem, acesso a tecnologias e técnicas agrossilvipastoris e animais geneticamente de boa qualidade. Com tudo bem implementado, o net revenue pode saltar de R$ 150 por hectare para R$ 2.000.

O CRA Rio Capim será destinado para o atendimento de 3.500 pequenos criadores de gado da Amazônia Legal. Um comitê de risco e impacto, formado por Vox, Rio Capim e um integrante independente (a ser informado), acompanhará as mitigações alcançadas – frear o desmatamento ilegal do bioma – e informar os resultados aos investidores.

A expectativa do programa Juntos é alcançar, nos próximos dez anos, uma segurança financeira para o projeto de R$ 900 milhões entre recursos de Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), comerciais e doações.

É a chamada blended finance, ou seja, um financiamento misto que une recursos públicos, de fomento ou filantrópicos a capital privado para financiar projetos de impacto. O CRA Rio Capim é um entre os diversos instrumentos financeiros que serão usados nesse projeto da Amazônia Legal.





Fonte: Agência Brasil

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