Tem um cobre no meio do caminho da fusão da BHP com a Anglo American

Tem um cobre no meio do caminho da fusão da BHP com a Anglo American


A Anglo American não se mostrou seduzida pela oferta bilionária feita pela BHP para unir as operações, que poderia resultar na criação de uma das maiores mineradoras do mundo, com destaque para a produção de cobre.

Em comunicado divulgado na sexta-feira, 26 de abril, a mineradora informou que a proposta de £ 31 bilhões (cerca de US$ 39 bilhões) “subestima significativamente” a companhia e suas perspectivas futuras. A rejeição foi aprovada por unanimidade pelo conselho de administração da companhia.

Listada na Bolsa de Londres, a Anglo American afirmou ainda que a operação, uma oferta composta integralmente por ações, pressupõe uma estrutura “altamente pouco atraente” aos seus acionistas, considerando “a incerteza e complexidade inerentes à proposta, e riscos significativos de execução”.

A proposta da BHP prevê que a Anglo American realize a cisão das unidades Anglo American Platinum Limited e da Kumba Iron Ore Limited, distribuindo aos acionistas as participações nessas empresas.

“A proposta da BHP é oportunista e falha em considerar as perspectivas da Anglo American, ao mesmo tempo que dilui significativamente o valor relativo da participação positiva dos acionistas da Anglo American em relação aos acionistas da BHP”, diz, no comunicado, Stuart Chambers, presidente do conselho da Anglo American.

Para ele, a companhia está bem posicionada para gerar valor ao seu portfólio, cujos ativos estão alinhados com o tema da transição energética.

“Com o cobre representando 30% da produção total da Anglo American, e com o benefício de opções de crescimento bem planejadas, com potencial de valor agregado, em cobre e outros produtos estruturalmente atraentes, o conselho acredita que os acionistas da Anglo American poderão se beneficiar do que esperamos ser um crescimento significativo de valor à medida que o impacto total dessas tendências se materialize”, diz Chambers.

O cobre é um dos principais temas que motivam a oferta. Quando tornou pública a sua proposta, a BHP informou que a combinação é consistente com sua estratégia de “focar em fundamentos de valor de longo prazo” e que a Anglo American possui ativos de alta qualidade no segmento de cobre.

Atualmente, a BHP possui uma participação majoritária em Escondida, a maior mina de cobre do mundo, localizada no Chile, de 57,5%. No ano passado, a mineradora comprou a Oz Minerals, por US$ 6,3 bilhões, justamente para aumentar sua exposição à commodity.

Em entrevista à CNBC, em setembro do ano passado, o CEO da BHP, Mike Henry, destacou que a demanda global por cobre deve duplicar nos próximos 30 anos, diante do avanço da pauta da descarbonização.

No terceiro trimestre do ano fiscal de 2024, encerrado em 31 de março, a produção da commodity na BHP subiu 15%, em base anual, para 465,9 mil toneladas. No acumulado do ano, ela avançou 10%, para 1,3 milhão de toneladas, crescimento de 10%.

Na Anglo American, a produção subiu 11% no primeiro trimestre, para 198 mil toneladas. A companhia conta com uma mina no Peru e três no Chile.



Fonte: Agência Brasil

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